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Exercícios sobre adjetivo (com gabarito)


Conferindo as estatísticas do blog, percebi que muitos chegam aqui procurando exercícios. Dentre os assuntos procurados, a gramática normativa ainda é o assunto mais popular. Isso faz sentido visto que os consursos públicos ainda cobram o conhecimento engessado, fora do contexto. Pensando nisso, trago hoje mais um exercício para ajudá-los.

Este exercício, embora tenha usado com meus alunos, tem uma característica interessante. Nele existe um texto que não precisava ser lido para resolver a questão. Atente para isso também, pois pode ser um fator de economia de tempo numa prova de longa duração. Oriento sempre aqueles com quem converso a lerem a pergunta antes dos textos. Vamos ao exercício então.
1) (Unitau 1995)
"Certas instituições encontram sua autoridade na palavra divina. Acreditemos ou não nos dogmas, é preciso reconhecer que seus dirigentes são obedecidos porque um Deus fala através de sua boca. Suas qualidades pessoais importam pouco. Quando prevaricam, eles são punidos no inferno, como aconteceu, na opinião de muita gente boa, com o Papa Bonifácio VIII, simoníaco reconhecido. Mas o carisma é da própria Igreja, não de seus ministros. A prova de que ela é divina, dizia um erudito, é que os homens ainda não a destruíram.
Outras associações humanas, como a universidade, retiram do saber o respeito pelos seus atos e palavras. Sem a ciência rigorosa e objetiva, ela pode atingir situações privilegiadas de mando, como ocorreu com a Sorbonne. Nesse caso, ela é mais temida do que estimada pelos cientistas, filósofos, pesquisadores. Jaques Le Goff mostra o quanto a universidade se degradou quando se tornou uma polícia do intelecto a serviço do Estado e da Igreja.
As instituições políticas não possuem nem Deus nem a ciência como fonte de autoridade. Sua justificativa é impedir que os homens se destruam mutuamente e vivam em segurança anímica e corporal. Se um Estado não garante esses itens, ele não pode aspirar à legítima obediência civil ou armada. Sem a confiança pública, desmorona a soberania justa. Só resta a força bruta ou a propaganda mentirosa para amparar uma potência política falida.
O Estado deve ser visto com respeito pelos cidadãos. Há um espécie de aura a ser mantida, através do essencial decoro. Em todas as suas falas e atos, os poderosos precisam apresentar-se ao povo como pessoas confiáveis e sérias. No Executivo, no Parlamento e, sobretudo, no Judiciário, esta é a raiz do poder legítimo.
Com a fé pública, os dirigentes podem governar em sentido estrito, administrando as atividades sociais, econômicas, religiosas, etc. Sem ela, os governantes são reféns das oligarquias instaladas no próprio âmbito do Estado. Essas últimas, sugando para si o excedente econômico, enfraquecem o Estado, tornando-o uma instituição inane."(Roberto Romano, excerto do texto "Salários de Senadores e legitimidade do Estado", publicado na Folha de São Paulo, 17/10/1994, 1Ž caderno, página 3)
Em:
I - CERTAS instituições encontram sua autoridade na palavra divina.
II - Instituições CERTAS encontram caminho no mercado financeiro.
As palavras, em destaque, são, no plano morfológico e semântico (significado)

a) adjetivo em I e substantivo em II, com significado de "algumas" em I e "corretas" em II.
b) substantivo em I e adjetivo em II, com significado de "muitas" em I e "íntegras" em II.
c) advérbio em I e II, com significado de "algumas" em I e "algumas" em II.
d) adjetivos em I e II, com significado de "algumas" em I e "íntegras" em II.
e) advérbio em I e adjetivo em II, com significado de "poucas" em I e "poucas" em II.

Aventure-se a responder nos comentários.

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2 comentários :

  1. A alternativa correta é a D. Nas duas frases CERTAS qualificam o substantivo INSTITUIÇOES e em alguns casos a ordem do adjetivo pode mudar o sentido da frase!
    Gostaria de saber se estou correto...

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  2. Mário, você está redondamente certo. A posição do adjetivo nas alternativas não muda a classe gramatical, mas o significado sim. Isso ocorre também quando trocamos o adjetivo BOA nas expressões: tenho uma BOA amiga, mas não uma amiga BOA.

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