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Exercício de interpretação de textos – Tem gente demais no mundo


Voltando às atividades de interpretação de textos, hoje trago um exercício que apliquei nas oitavas séries num colégio lá na bucólica cidade de Piratininga - SP, onde comecei minha vida de docente. Dessa vez não coloquei o gabarito, mas se você quiser que eu envie, entre em contato pelos comentários.
catástrofes_naturais Catástrofes naturais são naturais
 
O texto a seguir é de Rachel de Queiroz. Longe de mim usar esse espaço para incutir ideologias religiosas, mas é interessante, no mínimo interessante, a visão que ela tem a respeito das catástrofes que ocorrem “atualmente”. Leia-o, ainda que não seja para responder às questões que proponho. 

Tem gente demais no mundo
 
Não é questão de ser alarmista, de pregar o fim do mundo, qualquer desses gêneros apocalípticos. Tra­ta-se de fato irrecusável, está em todas as estatísticas, em todos os cálculos aproximativos: a humanidade exagerou na obediência ao "crescei e multiplicai-vos" e se multiplica ao excesso.
Os conservacionistas, os verdes, reclamam que se estão abatendo as florestas. Mas, se não se derruba­rem as matas, onde é que o povo vai morar? Se não se capinar, arar o chão, onde era mata, como é que o povo vai comer? 

O que está acontecendo com o atual sistema de uso da terra? Até onde se poderá ir, ao conquistar ter­ritório à vegetação? Como obter chão limpo onde pos­sam viver os bilhões de pessoas que, em todo o plane­ta, estão literalmente sobrando? 

A solução que até agora se encontrou foram os monstruosos ajuntamentos humanos que se chamam megalópoles e onde se acumulam as pessoas às deze­nas de milhões, como Tóquio, São Paulo, Cidade do México, Nova York e isso sem citar as da índia, as da China, porque por lá nem se recenseia mais a popula­ção, se recenseia de olho, aproximadamente, como se calculam as estrelas do céu. E nem falei em Hong Kong, que em breve se libertará da tutela inglesa. Diz que lá, uma criança pode nascer e envelhecer sem ver um punhado de terra natural, na bendita ilha. Tudo é cimento, dinheiro e pessoas. 

Francamente, a única solução que me ocorre é se entregar tudo nas mãos de Deus. Deus não usa de paliativos quando quer liquidar com uma praga de gafanhotos ou diminuir o número de baleias no mar. Mata tudo. Trilhões de gafanhotos sobrevoam a Áfri­ca, por exemplo, ameaçando acabar com toda a vida vegetal e animal no continente. Deus vem então e mata. Não se sabe (eu pelo menos não sei) se por moléstia, autofagia ou qualquer praga mais perigosa — de repente as legiões de gafanhotos somem e a vida se recupera. As baleias: os pescadores come­çam a constatar o excesso de baleias, ninguém sabe o que fazer e aí Deus entra com o seu dedo mágico: começam a encalhar nas praias da Baja Califórnia, do México, das costas boreais — centenas de balei­as que avançam para a terra e praticamente se suici­dam. O espetáculo é desagradável mas Deus é assim mesmo. Muito radical. 

Por paliatórios, já se viu que não se deterá o aumento alucinante das populações humanas, não só nos países subdesenvolvidos, mas nos desenvolvidos mesmo, onde vicejam as megalópoles. Está se ten­tando tudo, a despeito do combate das igrejas, que não aprovam nada contra as regras naturais. Não se permite aborto, assassinato, trucidamento em mas­sa; os nazistas bem que tentaram, mas não consegui­ram. No que Deus fez muitíssimo bem, não permi­tindo que eles ganhassem a guerra: já pensou um mundo só habitado por nazistas? 

Mas também não se precisava exagerar, proibindo anticoncepcionais, preservativos e até mesmo a simples ligadura das trompas de mulheres em idade fértil. Os franceses usam isso tudo e conseguem deter o exagero de po­pulação; o mal de que se queixam é a invasão dos chamados magrebinos. Idem, idem, com os ingleses: lá o problema de excesso é só com a população dos seus imigrantes jamaicanos. 

Assim, se até os paliativos se aviltam, minha humilde previsão é que Deus Nosso Senhor acaba fa­zendo com a raça dos homens o que costuma fazer com as nuvens de gafanhotos. Afinal de contas, é uma ques­tão de proporção. Nós nos consideramos importantíssimos, os reis da criação. Mas a opinião de Deus será a mesma? Por que Ele não nos verá apenas como uma espécie de gafanhotos maiores, mais gordos e muito mais pretensiosos? Por que pôr todas as maravilhas da natureza a nosso serviço, para que nós as destruamos e nos destruamos também na nossa insensatez? 

Confesso, sim, que ando com muito medo. A cada batida do meu coração, nasce pelo mundo uma criança chinesa, ou cearense, ou africana ou caribenha, sem falar nas brancas e nas ricas, que também nascem aos milhões. (E são muito mais exigentes.)

Que é que se vai fazer com elas? Se com tão pouca gente, quase na infância da humanidade, Deus, repri­mindo pecados, suscitou o dilúvio, que não fará com os trilhões de pecadores que somos hoje?
(Rachel de Queiroz. Estado de Minas, 3-3-1996.)
Vocabulário
apocalíptico = obscuro, incompreensível
autofagia = autodigestão, nutrição de um organismo à custa de sua própria substância
aviltar = desonrar, rebaixar, humilhar
dilúvio = inundação universal, cataclismo
megalópole = grande metrópole
paliativo = atenuante, que serve para remediar, aliviar, disfarçar
recensear = enumerar, relacionar
suscitar = despertar, provocar, produzir
tutela = proteção, defesa, amparo
vicejar = brotar, produzir, nascer

Conforme lemos no texto, o crescimento populacional acelerado vem causando sérias preocupações, principalmente nos grandes centros urbanos, sem que se apresentem soluções para esse problema.
Responda inicialmente às três questões propostas pelo texto e em seguida às demais perguntas relacio­nadas a ele.

1. O que está acontecendo com o atual sistema de uso da terra?
2. Até onde se poderá ir, ao conquistar território à vegetação?
3. Como obter chão limpo onde possam viver os bilhões de pessoas que, em todo o planeta, estão literalmente sobrando?
4. O que você acha da solução apresentada até hoje para impedir o aumento demográfico? Em que riscos ela incorre?
5. Considerando Deus radical, que solução a autora imagina que Ele dará ao problema?
Exterminar grande parte da população, através de recursos extremos, como uma epidemia, guerra etc.
6. Como você vê a utilização de certos recursos paliatórios, visando deter o avanço populacional?
7. Por que a autora chegou à triste conclusão de que os homens terão o mesmo fim da praga de gafanhotos?
8. Explique a diferença entre as crianças sugerida no último parágrafo do texto.
9. Como a autora, você também julga preocupante esse aumento vegetativo desordenado? Por quê?
10. Rachel de Queiroz parece não crer mais em soluções humanas e volta freqüentemente seu pensamento para Deus. Você acredita que caberá a quem resolver esse impasse? E de que forma?

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13 comentários :

  1. por favor pode me enviar o gabarito? e mail: elizabete2804@hotmail.com

    desde já agradeço!

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  2. Olá, gostaria do gabarito também! rodrigoneryprofessor@hotmail.com...

    Grato

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  3. gastaria de receber o gabarito, email: marianogeo@bol.com.br ou trindadegeo@yahoo.com.br
    Desde já agrageço
    Edilsom

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  4. gostaria de receber o gabarito, email: marianogeo@bol.com.br
    agradeço

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  5. Me envia pelo email as resposta mauriciobwitter@hotmail.com

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  6. Me passa as resposta email mauriciobwitter@hotmail.com

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  7. Me envia pelo email as resposta mauriciobwitter@hotmail.com

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  8. Manda para min tbm o gabarito, por favor!
    email: player.s4p4o@hotmail.com

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  9. Eu Gostaria tbm de receber player.s4p4o@hotmail.com

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  10. manda as resposta para um email delgado030soares@hotmail.com

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  11. manda as respostas pro meu imal delgado030soares@hotmail.com

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