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Análise do poema “Verdade” de Carlos Drummond de Andrade


A leitura de poemas, a meu ver, abre um leque de possibilidades de interpretação e é uma ferramenta interessantíssima para se estudar interpretação de textos. Quero, aqui, lembrar com vocês, meus leitores, de uma fala de uma antiga professora, Léa sílvia Braga de Castro e Sá. Ela dizia em nossas aulas de “Técnicas de Comunicação Escrita” que os poemas e os textos de forma geral admitem muitas interpretações, mas não QUALQUER interpretação. Isso significa que devemos procurar pistas textuais que nos conduzam à correta interpretação do texto. Abaixo, faço uma pequena leitura do poema ‘VERDADE” de Carlos Drummond de Andrade.


 Verdade
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez
Assim não era possível atingir toda verdade
a porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela,
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme seu capucho,
sua ilusão, sua miopia.
(Carlos Drummond de Andrade)
ANÁLISE DO POEMA “VERDADE”
É possível, em primeiro lugar, depreender deste poema uma possível tema. Seria este:
A verdade e o ideal são relativos, porque mediados pelo sujeito.
Não pretendo, obviamente encerrar a atribuição de sentido para o poema nessa simples leitura que fiz, mas na dimensão filosófica, a verdade, como valor absoluto, existe ('A porta da verdade"/ "toda a verdade"). No entanto, nenhum indivíduo a atinge, pois cada um é a representante da verdade. A verdade que cada sujeito assume é resultado de uma escolha determinada por razões subjetivas ("seu capricho, sua ilusão, sua miopia") alheias ao que se convencionou entender por verdade: conformidade com o real, exatidão, realidade.

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