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Uma reflexão sobre o perdão


O texto de hoje fala sobre perdão. Usei-o há algum tempo numa aula de revisão para alunos de terceiro ano, pois além de exigir um vocabulário refinado, é necessário fazer as corretas relações entre as partes do texto e o sentido que as palavras adquirem quando relacionadas da forma como foram no texto. Vamos fazê-lo e ao final você pode conferir um comentário sobre os exercícios propostos.

PERDÃO

Perdoar alguém é renunciar ao ressentimento, à ira  ou a outras reações justificadas por algo que essa pessoa tenha feito. Isso levanta um problema filosófico: essa pessoa é tratada de forma melhor do que ela merece; mas como pode exigir-se, ou mesmo como permitir-se, tratar alguém de uma maneira que não merece? Santo Agostinho aconselhávamos a detestar o pecado, mas não o pecador, o que também indica uma atitude objetiva ou impessoal para com o pecador, como se o caráter do agente estivesse apenas acidentalmente ligado ao caráter detestável de suas ações.

(Simon Blackburn)

1) “Perdoar alguém é renunciar ao ressentimento...”; o vocábulo renunciar equivale semanticamente (sinônimo) a:
a) denunciar
b) anunciar
c) abandonar
d) retirar
e) condenar

2) O termo alguém da primeira frase do texto aparece referido com outras palavras no desenvolvimento do texto; o único termo destacado que NÃO o repete é:
a) “...por algo que essa pessoa tenha feito.”
b) “...é tratada de forma melhor do que ela merece;...”
c) “...a detestar o pecado, mas não o pecador,...”
d) “...como se o caráter do agente...”
e) “...ligado ao caráter detestável de suas ações.”

3) “Isso levanta um problema filosófico: essa pessoa é tratada de forma melhor do que ela merece;...”; esse segmento do texto diz-nos, implicitamente, que:
a) todos devem ser tratados segundo seus atos.
b) devemos tratar a todos de forma semelhante.
c) todos devem ser tratados de forma melhor do que merecem.
d) todos devem ser tratados de forma pior do que merecem.
e) ninguém deve ser maltratado.

4) Santo Agostinho ensina que:
a) não devemos confundir agente e paciente.
b) devemos separar ato e agente.
c) devemos confundir agente e ação.
d) devemos perdoar o ato e condenar o agente.
e) agente e ato são elementos idênticos.

Gabarito dos exercícios de interpretação de textos

1) Letra c
Questão de sinonímia.  Renunciar  e  abandonar  podem ser usados indiferentemente no texto. É claro que nem sempre esses vocábulos serão sinônimos. Se dissermos, por exemplo, “ele abandonou a cidade”, o verbo abandonar  não poderá ser substituído por  renunciar.  Vale dizer que não existem sinônimos perfeitos, em língua alguma.

2) Letra e
Temos aqui uma questão envolvendo coesão textual, ou seja, a ligação entre os componentes de um texto. Volte ao texto e veja que  “alguém” é o ser que praticou um ato errado. Leia com atenção as frases  destacadas nas opções da questão. A única em que o termo destacado não se refere a “alguém” é a última.

3) Letra a
Se o autor acha que ser tratado de maneira melhor do que se merece é um problema filosófico, é porque o ideal seria tratar a todos de acordo com as suas atitudes, o que nos leva para a letra a.

4) Letra b
Santo Agostinho dizia que devíamos detestar o pecado, mas não o pecador. O pecador, ou seja, quem cometeu um delito, é o agente; o pecado, isto é, o delito cometido, é a ação. Ele achava que o erro, o ato infeliz cometido é que deveria ser detestado por todos nós, nunca o indivíduo que  o praticou. Assim, ele separava o ato do agente que o praticou.

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